Verdades da profissão de Professor

04 - out /2011

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.

Paulo Freire

 

A melhor revolução é promover educação de qualidade.

 “A principal arma em uma revolução é o conhecimento.” Essas palavras de Paulo Freire determinaram o destino da professora Fátima Borges, diretora da EMEF Olavo Pezotti.  

Em 30 de setembro, Festival Bairro–Escola, Mesa III – Educação, Cidade e Política, evento promovido pela Ong Cidade Escola Aprendiz, Fátima contou sobre seus 33 anos de experiência como educadora e de sua preocupação em desenvolver situações de conhecimento para crianças e jovens. Com essa bagagem tem condições de afirmar que a escola não prepara para a vida, a escola é a vida. E a educação, um bem cultural, um patrimônio. Sua energia e sua motivação são contagiantes.

 

Professora sim, tia não.

Cartas a quem ousa ensinar. Paulo Freire. Editora Olho D’Água, 2010

 
Ensinar não pode mais ser considerado esforço de transmissão do chamado saber acumulado e aprender não é a pura recepção do objeto ou do conteúdo transferido.
 
Segundo o autor, as culturas letradas impedem os analfabetos e as analfabetas de completar o ciclo das relações entre linguagem, pensamento e realidade, fechando portas e limitando processos. Ressalta que há um movimento dinâmico entre pensamento, linguagem e realidade, o qual, se bem assumido, resulta numa crescente capacidade criadora. Quanto mais vivemos integralmente esse movimento tanto mais nos tornamos sujeitos críticos do processo de conhecer, de ensinar, de aprender, de escrever, de estudar.
 
... a tarefa do ensinante, que é também aprendiz, sendo prazerosa é igualmente exigente. Exigente de seriedade, de preparo científico, de preparo físico, emocional, afetivo. É uma tarefa que requer de quem com ela se compromete um gosto especial de querer bem não só os outros, mas ao próprio processo que ela implica. (grifo nosso)
 
É preciso ousar, no sentido pleno dessa palavra, para falar em ‘amor’ sem temer ser chamado ‘de piegas’, de ‘meloso’, de a-científico, senão de anticientífico. É preciso ousar com a paixão e também com a razão crítica. Jamais dicotomizar o cognitivo do emocional.
 
Recusar a identificação da figura da professora com a da tia não significa, de modo algum, diminuir ou menosprezar a figura da tia, da mesma forma como aceitar a identificação não traduz nenhuma valoração à tia. Significa, pelo contrário, retirar algo fundamental à professora: sua responsabilidade profissional de que faz parte a exigência política por sua formação permanente.
 
Para a professora, é uma forma de adocicar sua vida profissional e de tentar amaciar sua capacidade de luta e seu desempenho no exercício de tarefas fundamentais; já as crianças correm o risco de confundir a distinção entre sua casa e a escola, entre um trabalho pedagógico – competente, estimulante e solidário – e as relações familiares, que são de outra natureza.
 
Não conseguimos parafrasear as ideias de Paulo Freire. Tarefa absolutamente difícil para nós. Optamos por transcrever segmentos de seu texto.
 
 
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ter, 03/20/2012 - 11:43
Sílvia Fernandes
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É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.  Paulo Freire
Só a participação cidadã é capaz de mudar este país. Betinho